Falta de políticas públicas agrava abandono animal no Brasil

Jefferson Lemos
Foto - Freepik

A ausência de políticas públicas integradas e de dados consolidados sobre abandono animal expõe uma realidade crítica no país. Segundo o Instituto Pet Brasil, 4,8 milhões de cães e gatos vivem em situação de vulnerabilidade, sem tutor definido ou sujeitos a riscos nas ruas. O problema, concentrado sobretudo em áreas urbanas, sobrecarrega serviços públicos, abrigos e iniciativas independentes.

Para o médico veterinário Flavio Fernando Batista Moutinho, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e especialista em saúde coletiva, o enfrentamento não pode se limitar a ações assistenciais. “Há uma percepção consistente de aumento, ligada ao abandono, à reprodução descontrolada e à ausência de políticas públicas eficazes”, alerta.

Do ponto de vista da saúde pública, a presença de animais nas ruas não representa risco imediato, mas exige vigilância. “Nem todos estão doentes, mas há casos que demandam atenção. Hoje, a atuação é direcionada a esses animais, diferente do passado, quando havia recolhimento indiscriminado”, explica o professor, destacando que a mudança reflete um reposicionamento das políticas, articulando saúde, meio ambiente e bem-estar animal.

Moutinho defende que o combate ao abandono exige ações contínuas e integradas, como:

– Educação da população
– Fiscalização e regulamentação da criação e comércio de animais
– Políticas de manejo populacional

“Nenhuma ação isolada resolve. É preciso integração entre poder público e sociedade, além de investimento em informação e responsabilização. Enquanto houver abandono, o problema tende a persistir”, reforça.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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