A ausência de políticas públicas integradas e de dados consolidados sobre abandono animal expõe uma realidade crítica no país. Segundo o Instituto Pet Brasil, 4,8 milhões de cães e gatos vivem em situação de vulnerabilidade, sem tutor definido ou sujeitos a riscos nas ruas. O problema, concentrado sobretudo em áreas urbanas, sobrecarrega serviços públicos, abrigos e iniciativas independentes.
Para o médico veterinário Flavio Fernando Batista Moutinho, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e especialista em saúde coletiva, o enfrentamento não pode se limitar a ações assistenciais. “Há uma percepção consistente de aumento, ligada ao abandono, à reprodução descontrolada e à ausência de políticas públicas eficazes”, alerta.
Do ponto de vista da saúde pública, a presença de animais nas ruas não representa risco imediato, mas exige vigilância. “Nem todos estão doentes, mas há casos que demandam atenção. Hoje, a atuação é direcionada a esses animais, diferente do passado, quando havia recolhimento indiscriminado”, explica o professor, destacando que a mudança reflete um reposicionamento das políticas, articulando saúde, meio ambiente e bem-estar animal.
Moutinho defende que o combate ao abandono exige ações contínuas e integradas, como:
– Educação da população
– Fiscalização e regulamentação da criação e comércio de animais
– Políticas de manejo populacional
“Nenhuma ação isolada resolve. É preciso integração entre poder público e sociedade, além de investimento em informação e responsabilização. Enquanto houver abandono, o problema tende a persistir”, reforça.
