Inimigo íntimo: taxa da China pode doer muito mais que todo o tarifaço dos EUA

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Enquanto a guerra política coloca os Estados Unidos como o grande vilão da economia brasileira, o maior rombo pode estar vindo justamente do nosso principal parceiro comercial. A China passou a cobrar uma tarifa de 55% sobre a carne bovina brasileira que ultrapassar a cota anual de importação. E o impacto pode ser muito mais pesado do que o tarifaço americano. O motivo é simples: os chineses compram quase metade de toda a carne que o Brasil exporta. Se esse mercado trava, o estrago é gigantesco.

A diferença de peso entre os dois países é enorme. Os Estados Unidos representam uma fatia pequena das exportações brasileiras, enquanto a China domina esse mercado. O presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa, resume bem a situação: “O grande problema é que a gente exporta para os Estados Unidos produtos industrializados de maior valor agregado. Mas o grande benefício é que a gente exporta pouco também.” Na prática, quando Pequim fecha a torneira, sobra carne, falta comprador e o prejuízo explode.

O impacto não para nas fazendas. Frigoríficos podem reduzir a produção, cortar turnos e até demitir trabalhadores. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) já mostram desaceleração nas exportações, enquanto o Ministério da Agricultura informa que cerca de 80% da cota brasileira para a China já foi consumida. Ou seja: a cobrança da tarifa máxima está cada vez mais perto.

Quem acha que isso vai baratear a carne no supermercado pode estar comemorando cedo demais. Especialistas alertam que uma queda temporária nos preços desestimula a produção de gado. Depois, com menos oferta, o efeito costuma ser o contrário: carne mais cara, inflação e mais pressão no bolso do consumidor.

E tem mais. Menos exportação significa caminhões parados, portos ociosos, fretes mais caros e prejuízo para toda a cadeia logística. No fim das contas, enquanto o debate público segue mirando o tarifaço dos Estados Unidos, é a dependência da China que pode acabar cobrando a conta mais alta — e quem paga essa conta, como quase sempre acontece, é o consumidor brasileiro.

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