Do verde da esperança ao verde da vergonha. O vereador Fábio Silva (Podemos), eleito em 2024 com base no Complexo do Chapadão, virou alvo de uma ação do Ministério Público do Rio (MPRJ) por abuso de poder econômico. A acusação é pesada: o parlamentar teria pintado ruas, praças e até barricadas do tráfico com a cor da sua campanha — o verde — e usado sua própria empresa, a Nort Telecom Ltda., para pagar cabos eleitorais via PIX e pressionar eleitores, ameaçando cortar a internet de quem não votasse nele.
A denúncia, apresentada pela promotora Rosemery Duarte Viana, mostra que o “mutirão comunitário” de Fábio tinha menos de voluntário e mais de marqueteiro. As equipes uniformizadas, bancadas por ele, apareceram em vídeos capinando e pintando áreas públicas em plena campanha. Até barricadas erguidas pelo Comando Vermelho foram repaginadas no mesmo tom de verde da sua arte eleitoral.
A coluna de Paulo Capelli, no Metrópoles, revelou ainda que os repasses via PIX não foram declarados na prestação de contas oficial. O MP pede cassação do mandato e inelegibilidade por oito anos — e a juíza Kátia Cristina Nascentes Torres já analisa o caso na 125ª Zona Eleitoral.
Fábio, claro, nega tudo. Diz que as ações eram “espontâneas da comunidade”. Talvez a comunidade do Chapadão — onde até o tráfico, pelo visto, adotou o tom institucional da campanha.
