Enquanto jovens da periferia no Brasil viralizam nas redes sociais portando fuzis e exaltando a bandidolatria nos bailes funks, nos Estados Unidos a juventude negra ganha visibilidade por outro caminho: postam em suas redes sociais partidas de xadrez e livros, vestindo roupas clássicas. Trata-se do movimento “Quarter Zip”, liderado pelos “Young Nobles”, que transformam a elegância intelectual em símbolo de resistência e autoestima.
Brasil: a estética da violência
No Brasil, bailes funks das periferias brasileiras viram ostentação nas redes sociais. Armas pesadas e letras que fazem apologia ao tráfico e às drogas se tornaram comuns nas postagens. Vídeos de adolescentes exibindo fuzis circulam livremente nas redes sociais, arrancando milhões de seguidores e reforçando uma cultura que glamouriza o crime e a marginalidade. Esse fenômeno, muitas vezes legitimado por setores culturais e políticos progressistas, cria uma narrativa perigosa para milhares de jovens.

EUA: a revolução silenciosa dos ‘Young Nobles’
Do outro lado, nos Estados Unidos, jovens negros estão ressignificando sua imagem nas redes sociais. O movimento “Quarter Zip”, batizado em referência ao clássico suéter com zíper no peito, aposta na moda clássica como ferramenta de transformação. Mas envolve muito mais do que vestimenta, promove uma mudança de comportamento.
Liderados pelos “Young Nobles”, esses jovens rejeitam a ideia de que existe “roupa de branco” ou “roupa de negro”. Para eles, vestir-se bem é linguagem, é autoestima e é respeito. A estética se torna arma cultural contra estigmas e preconceitos.
Elegância como resistência
Mais do que moda, o Quarter Zip é um manifesto. Influenciadores ligados ao movimento viralizam em plataformas como TikTok e YouTube mostrando que a elegância pode ser revolucionária. Em vez de ostentar armas, eles exibem livros, partidas de xadrez e discursos sobre educação.
O resultado é uma nova referência cultural: jovens negros que inspiram outros a frequentar a escola, investir em conhecimento e cultivar disciplina.

O contraste que expõe duas realidades
De um lado, no Brasil, bailes funks recheados de apologia ao crime e vídeos de fuzis. Do outro, nos EUA, jovens que transformam a moda clássica em símbolo de ascensão social e intelectualidade.
Esse contraste revela duas narrativas distintas: a glamourização da violência versus a valorização da elegância intelectual.
Mais que moda, um projeto de futuro
O “Quarter Zip Movement” já é apontado pela mídia norte-americana como uma nova forma de empoderamento negro. Não se trata apenas de roupas, mas de uma estratégia de sobrevivência: vestir-se bem para ser levado a sério, para ser respeitado e para desafiar estereótipos que há décadas aprisionam a juventude negra.
Enquanto no Brasil a estética da violência segue viralizando, nos Estados Unidos jovens negros reinventam sua imagem e constroem um movimento que une moda, autoestima e educação como armas de transformação.
