Quatro dias após anunciar o projeto “Diálogos Locais”, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAC) do Rio de Janeiro aprovou um patrocínio de R$ 488.406,00 para a realização do evento, voltado à discussão de temas climáticos.
A medida, porém, esbarra num dado desconfortável: ações práticas contra as mudanças climáticas vêm sofrendo cortes profundos.
Um levantamento do gabinete do vereador Fernando Armelau (PL), com base na execução orçamentária da SMAC disponível no Contas Rio (consulta de 10/10/2025), mostra que R$ 7,5 milhões deixaram de ser aplicados em áreas como reflorestamento, ciclovias e requalificação de praças — justamente o tipo de iniciativa que deveria sair do papel quando o assunto é sustentabilidade.
Veja os principais cortes:
- Consolidação de áreas reflorestadas: menos R$ 3,1 milhões (100% de corte)
- Requalificação de áreas verdes e praças: menos R$ 2,5 milhões (-79%)
- Infraestrutura cicloviária: menos R$ 1,1 milhão (-77%)
- Manutenção de áreas reflorestadas: menos R$ 578 mil (-7%)
- Centros de triagem de animais silvestres: menos R$ 100 mil (-99%)
- Produção agroecológica: menos R$ 97 mil (-3%)
- Apoio ao setor agrícola: menos R$ 23 mil (-2%)
Enquanto isso, eventos temporários recebem sinal verde e verba garantida.
Para Armelau, a execução orçamentária revela uma priorização distorcida: “Reduzem o investimento em ações permanentes e mensuráveis, mas liberam quase meio milhão para seminário”, afirma. O vereador promete seguir de olho nas contas da SMAC.
