Rombo nas estatais explode e governo federal aposta em alta de impostos para tapar buraco em 2026

Jefferson Lemos
Empresas como os Correios, que acumulam prejuízos históricos, são apontadas como símbolos de um modelo que consome recursos sem entregar resultados proporcionais (Arquivo/EBC)

O déficit das estatais não para de crescer e virou símbolo da crise de gestão no setor público. Em novembro de 2025, as empresas estatais brasileiras – excluídas Petrobras, Eletrobras e bancos públicos – registraram um rombo de R$ 2,9 bilhões, segundo o Banco Central. O resultado escancara a deterioração das contas públicas e alimenta críticas sobre a condução administrativa dessas companhias.

O rombo reacende o debate sobre ineficiência e má gestão. Empresas como os Correios, que acumulam prejuízos históricos, são apontadas como símbolos de um modelo que consome recursos sem entregar resultados proporcionais. No acumulado de janeiro a novembro, o déficit das estatais (sem Petrobras e Eletrobras) já chega a R$ 10,3 bilhões, ampliando a pressão sobre o governo.

O retrato do caos fiscal

O déficit primário do setor público entre janeiro e novembro alcançou R$ 61,2 bilhões, equivalente a 0,53% do PIB. A Dívida Bruta do Governo Geral – que inclui Governo Federal, INSS e governos estaduais e municipais – disparou para 79% do PIB, o equivalente a R$ 10 trilhões, um aumento de 0,6 ponto percentual em apenas um mês. Esse avanço da dívida pública aumenta a desconfiança dos investidores e coloca em xeque a capacidade do governo de cumprir metas fiscais. Especialistas alertam que o crescimento acelerado da dívida pode comprometer investimentos e ampliar a necessidade de ajustes duros em 2026.

Impostos na mira

O governo já discute medidas como elevação da carga tributária sobre setores específicos, revisão de benefícios fiscais e maior controle das despesas obrigatórias. A medida provisória que eleva tributos sobre fintechs, apostas online, cooperativas, títulos incentivados e criptoativos está na mira do governo para fechar as contas em ano eleitoral. Mas o setor produtivo já reage: nova alta de impostos pode travar investimentos e sufocar a economia.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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