Copacabana, palco de contrastes, viu nesta quarta (31) uma cena que poderia ser escrita por Nelson Rodrigues ou filmada por Tarantino. Uma mulher entrou no supermercado como quem carrega um segredo. Não trazia lista de compras, mas um punhado de códigos de barras recortados — todos marcados com o preço mágico de R$ 1,99.
Era a tentativa de transformar o luxo em pechincha, o salmão em refrigerante barato, a geleia importada em produto popular. Uma fraude quase infantil, mas de uma ousadia que beira o surreal.
Na tela do autoatendimento, tudo aparecia como “refrigerante R$ 1,99”. Mas na sacola, o banquete era de outro mundo: salmão de R$ 123, geleia de R$ 179, massa Konjac de R$ 29. A conta real somava R$ 332,46.
A funcionária percebeu o truque. O olhar treinado viu que a matemática não fechava. E quando a mulher tentou fugir, a vida — sempre mais rápida que a imaginação — trouxe policiais que passavam pela calçada. Flagrante. Algema. Fim da peça.
Na bolsa, mais recortes de códigos de barras. Como se fossem ingressos para um espetáculo paralelo, onde tudo custa menos de dois reais.
O supermercado voltou ao ritmo comum. Mas a história ficou: um retrato cru da criatividade torta que nasce quando o bolso não acompanha o desejo.
