A disputa pelos fiéis

Lucas Mathias
“É preciso que tais manifestações respeitem convicções religiosas profundas e valores que estruturam a vida social e são invioláveis para as pessoas desta cidade”, diz trecho da nota da Arquidiocese do Rio (Reprodução)

Não é novidade que o eleitorado evangélico é um dos pilares a serem considerados para quem quer se eleger no Rio, especialmente em um pleito majoritário. Daí, surge o primeiro grande desafio que a campanha de Eduardo Paes (PSD) ao governo do Rio terá que solucionar: como explicar que o prefeito percorreu a Sapucaí com o presidente Lula (PT) em um desfile que retratava famílias em latas de conserva e ainda assim quer o voto de conservadores para chegar ao Palácio Guanabara?

A resposta é complicada. Tão complicada que fez o pastor Silas Malafaia, um dos grandes aliados de Paes, abandonar o barco do prefeito para não se queimar. Malafaia, aliás, já recalculou sua rota e, no último sábado, 21, levou o secretário das Cidades, Douglas Ruas, à inauguração da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (Advec) em Cabo Frio, na Região dos Lagos fluminense, em um claro aceno ao possível candidato da direita ao governo do Rio.

Até aqui, a estratégia de Paes para contornar esse impasse tem nome e sobrenome: Jane Reis (MDB), a vice escolhida por ele, evangélica e irmã do ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis. Se isso será suficiente, só o tempo dirá.

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