O brasileiro que comemorou a ampliação da isenção do Imposto de Renda promovida pelo governo Lula começa a perceber que o alívio no bolso não foi tão grande quanto parecia. A nova tabela do IRPF, em vigor desde janeiro de 2026, reduziu a carga sobre rendas de até R$ 7.350 e isentou quem recebe até R$ 5.000. Porém, o aumento do IOF sobre operações de crédito tem corroído parte desse benefício — e como a maioria das famílias brasileiras está endividada, o ganho prático quase desaparece.
O índice mais recente mostra que em fevereiro de 2026, 80,2% das famílias brasileiras estavam endividadas, o maior patamar da série histórica da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
IOF: alta que neutraliza o benefício
O professor Tiago Slavov, da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), explica que os números revelam a lógica do sistema tributário brasileiro: reduções em uma área tendem a ser compensadas por aumentos em outra.
Enquanto o IRPF perdeu força, o IOF sobre operações de crédito cresceu R$ 175 milhões. Isso significa que muitos contribuintes que se beneficiaram da redução do IR acabaram pagando mais em impostos sobre empréstimos e financiamentos. O saldo líquido é mínimo, reforçando a percepção de que o governo entregou com uma mão e tirou com a outra.
Em fevereiro, o Imposto de Renda da Pessoa Física apresentou queda de R$ 271 milhões em relação ao mesmo mês de 2025, reflexo direto da nova faixa de isenção. Mesmo assim, a Receita Federal registrou arrecadação recorde de R$ 222 bilhões.
Previdência em destaque
O especialista destaca o avanço das receitas previdenciárias, que chegaram a R$ 60 bilhões em fevereiro — quase um terço da arrecadação federal. O crescimento de R$ 3,3 bilhões reflete a expansão do emprego formal e da atividade econômica, especialmente entre empresas do Simples Nacional.
“Por outro lado, o dado reforça o peso dos encargos sobre a folha de pagamento. Em um cenário em que a reforma tributária sobre o consumo já está em vigor e a reforma sobre a renda ainda está em discussão, a questão previdenciária permanece um dos principais desafios estruturais do sistema tributário brasileiro, independentemente de seu apelo político”, afirma o docente da FECAP.
