O brasileiro está suando para manter as contas em dia. Em fevereiro, os juros médios do cartão de crédito rotativo atingiram impressionantes 436% ao ano — quase 30 vezes a taxa Selic, hoje em 14,75%.
O rotativo é acionado quando o consumidor não paga o valor integral da fatura na data de vencimento. O problema é que essa prática já afeta cerca de 40 milhões de brasileiros, mergulhando famílias em dívidas cada vez mais difíceis de quitar. Hoje, 80% dos lares convivem com algum tipo de endividamento.
Segundo o Banco Central, parte da explicação está no uso distorcido do cartão: muitos dos 101 milhões de usuários tratam o crédito emergencial como extensão da renda. A tentativa do Congresso, em janeiro de 2024, de limitar o valor da dívida ao montante original não surtiu efeito. O resultado é alarmante: 63% dos endividados no rotativo estão inadimplentes.
O governo federal acompanha com preocupação. Estudos foram encomendados ao Banco Central e à Fazenda para avaliar a redução dos juros. A medida, porém, carrega riscos: em 2012, quando o governo Dilma forçou bancos estatais a cortar taxas do rotativo, o efeito colateral foi o aumento dos juros e da inflação.
O cenário atual expõe um dilema: aliviar o bolso do consumidor sem provocar desequilíbrios na economia. Enquanto isso, o cartão de crédito segue sendo, para milhões de brasileiros, mais uma armadilha do que um aliado.
