A sessão desta terça-feira na Câmara Municipal do Rio foi marcada com uma imagem impactante: o vereador Flávio Valle (PSD) exibiu lado a lado dois cartazes — um da Alemanha nazista, datado da década de 1930, e outro do bar Partisan, na Lapa, que recentemente estampou a frase “Cidadãos dos EUA e de Israel não são bem-vindos”. A comparação, segundo Valle, revela a gravidade dos sinais de intolerância que voltam a surgir na cidade.
“É preciso lembrar que o Holocausto não começou com câmaras de gás, mas com placas como essas, que retiravam pouco a pouco a dignidade de um povo”, afirmou o parlamentar, em discurso marcado por referências históricas e apelos emocionais. Ele destacou que os episódios ocorreram justamente durante o Pêssach judaico e a Páscoa cristã, datas que simbolizam libertação e esperança.
Valle citou as Leis de Nuremberg e o testemunho de sobreviventes do Holocausto para reforçar que a discriminação, quando normalizada, abre caminho para tragédias coletivas. “Defender um grupo discriminado é defender o princípio que protege todos nós. O silêncio diante do preconceito é cúmplice da intolerância”, disse, evocando ainda as palavras do pastor Martin Niemöller sobre os perigos da omissão.
Em nota, o estabelecimento negou discriminação, alegando que a placa tinha caráter político e simbólico, sem impedir a entrada de clientes.
