O show da Shakira no Rio, vendido como festa popular e motor do turismo, virou alvo de revolta. Por trás do espetáculo, um dado chama atenção: milhões de reais públicos foram despejados pela Prefeitura do Rio de Janeiro para bancar uma estrutura que, na prática, privilegiou poucos.
Na areia de Copacabana, a cena foi simbólica: de um lado, uma multidão de 2 milhões de pessoas espremidas e longe do palco; do outro, um cercado de luxo que funcionou como um verdadeiro “muro VIP”. A área exclusiva, com cerca de 1.500 m², escancarou a divisão entre quem pagou a conta e quem teve acesso ao melhor do evento.
O custo também pesou — e muito. Foram R$ 20 milhões de dinheiro público para uma festa restrita a cerca de 10 mil convidados, valor que dobra o investimento feito no show de Madonna em 2024 e levanta dúvidas sobre prioridades em uma cidade cheia de carências.
Enquanto o discurso oficial falava em “show gratuito para o povo”, a realidade foi outra: estruturas e painéis gigantes acabaram bloqueando a visão de quem ficou fora da área VIP. Para muitos fãs, o espetáculo virou frustração — pago com o próprio bolso, via impostos.
As críticas explodiram nas redes e ganharam até as paredes do Copacabana Palace. O evento “Todo Mundo no Rio” começou com 1h20 de atraso e terminou marcado por um contraste difícil de ignorar: o povo esperou, bancou, mas não viu — e a festa, que era para todos, acabou com cara de privilégio.
