A polêmica envolvendo o detergente Ypê — e, na esteira, a repercussão sobre as sacolas da Havan com a bandeira do Brasil — ganhou uma nova dimensão nas redes sociais: virou campanha, discurso e disputa narrativa, com vídeos que misturam humor, consumo e posicionamento político.

O empresário Luciano Hang entrou na onda e publicou um vídeo lavando louça com o produto, combinando jingle improvisado e crítica política. “O que eu mais entendo é de perseguição. Não tem um cara mais perseguido do que o velho da Havan. E o Ypê também”, disse, ao alertar ainda para o cenário eleitoral. A Havan foi alvo de uma notificação do Ministério Público por utilizar sacolas plásticas com a bandeira do Brasil.

Entre os artistas, a cantora Jojo Todynho também defendeu a marca, enquanto o ator Júlio Rocha ironizou a situação nas redes usando o detergente até como xampu. A mobilização ganhou força quando a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro exibiu o produto em um story, impulsionando uma onda de engajamento. A partir daí, influenciadores passaram a incentivar a compra como forma de protesto, ampliando o alcance do caso para além da discussão sanitária.

A reação política veio na sequência. O vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo, publicou vídeo lavando louça e convocando seguidores a apoiarem a marca. O senador Cleitinho ironizou a atuação da Anvisa, enquanto o deputado da Alesp Lucas Bove falou em “perseguição”. Já o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, criticou o que chamou de “massacre” contra a empresa.

O efeito foi imediato: memes, vídeos e até imagens geradas por inteligência artificial associaram o detergente à disputa política, com postagens incentivando o “boicote reverso” e referências ao Partido dos Trabalhadores. Após a pressão nas redes — ou não — o caso das sacolas da Havan foi arquivado, e a Anvisa recuou na suspensão da fabricação de produtos da Ypê. Coincidência ou não, o episódio reforça como até um detergente pode virar símbolo político no Brasil.
