“Para onde vai o dinheiro do carnaval?” A pergunta deu o tom da audiência pública na Câmara do Rio de Janeiro. Representando os blocos, Rita Fernandes, presidente da Sebastiana (principal associação da categoria), afirmou que, apesar do impacto bilionário da festa, os cortejos ainda não recebem retorno proporcional. O próprio subsecretário de Desenvolvimento Econômico, Marcel Balassiano, destacou os números: R$ 5,9 bilhões movimentados e cerca de 1,8 milhão de turistas em 2026.
A reunião discutiu a criação de regras permanentes para o evento. A presidente da comissão, Tatiana Roque (PSB), defendeu uma política de Estado para o carnaval de rua e alertou para falhas de planejamento diante do crescimento da festa. Como exemplo, citou blocos tradicionais que ficaram fora do desfile por problemas como superlotação.
Sobre financiamento, o diretor de operações da Riotur, Flavio Teixeira, afirmou que o modelo de patrocínio está sendo revisto e reconheceu a necessidade de garantir sustentabilidade aos blocos. Na Câmara, a vereadora Monica Benicio (PSOL) cobrou mais transparência na distribuição dos recursos e regras mais democráticas.
Os ambulantes também foram destaque. Monica Benicio defendeu políticas públicas para garantir melhores condições de trabalho, enquanto a deputada estadual Verônica Lima (PT) reforçou o papel do poder público em estruturar o evento e ampliar mecanismos de cobrança da sociedade.
Na área de segurança, o bombeiro militar Marcos Antonio explicou que as exigências técnicas são necessárias para organizar a festa. Já Isabela Dantas, representante de ligas de blocos, criticou o curto prazo para cumprir as regras. Para o pesquisador Victor Belart, da Uerj, a falta de segurança, principalmente à noite, ainda limita o potencial do carnaval e afeta diretamente o público e a renda dos trabalhadores.
