A investigação da Polícia Federal escancarou um novo nível de sofisticação no esquema ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro: além de um suposto braço armado, o grupo mantinha uma célula digital dedicada a ataques cibernéticos sob encomenda. Apelidados de “os meninos”, os hackers eram acionados para invadir celulares, monitorar vítimas e derrubar perfis — tudo, segundo a apuração, com pagamentos mensais de até R$ 75 mil.
O alvo mais explosivo foi o jornalista Lauro Jardim, colunista do GLOBO. Conversas interceptadas pela PF indicam que a ordem para hackear o celular do jornalista partiu diretamente de Vorcaro. Em um dos diálogos, o operador do esquema responde sem rodeios: “já pedi aos meninos para fazer isto”. Em outro momento, a escalada é ainda mais explícita: “quer que tome o cel dele?”.
O núcleo tecnológico operava como uma engrenagem estratégica dentro da organização criminosa. De acordo com a investigação, o grupo era formado por especialistas em invasões telemáticas e espionagem digital, entre eles Victor Lima Sedlmaier, preso em Dubai após ficar foragido. Ele atuava ao lado de outros integrantes sob o comando de Mourão, figura-chave do esquema, que morreu enquanto estava preso.
A ofensiva digital não era isolada. Segundo a PF, ela caminhava lado a lado com ações mais agressivas do grupo — incluindo o planejamento de um assalto forjado contra Lauro Jardim, com o objetivo de intimidar e “prejudicar violentamente” o jornalista. Em mensagens anteriores, Vorcaro chegou a sugerir agressões físicas, mostrando que o esquema combinava pressão virtual e ameaça real.
