A base do governo Luiz Inácio Lula da Silva entrou em campo nesta quarta (27) — e mostrou que, quando o assunto é frear, a engrenagem funciona. Com uma manobra regimental bem calibrada, conseguiu travar o avanço da redução da maioridade penal, um projeto que já acumula mais de uma década em modo espera no Congresso.
Justo quando a proposta — que reduz a maioridade de 18 para 16 anos — começava a ganhar tração na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), deputados alinhados ao governo acionaram o conhecido botão do “depois a gente vê”: o pedido de vista coletiva. Na prática, a votação é interrompida e o tema volta para a fila… sem previsão de atendimento.
Assinaram o freio as deputadas Talíria Petrone (Psol-RJ), Sâmia Bomfim (Psol-SP) e Erika Kokay (PT-DF), além do deputado Orlando Silva (PCdoB-SP).
O movimento veio justamente quando o assunto voltava ao centro do debate, após ser desmembrado da PEC da Segurança Pública para tramitar sozinho — o que poderia, veja só, levar a uma votação direta.
O relator, Coronel Assis, já tinha dado sinal verde e tentava acelerar o processo. Mas a reação da base governista foi mais rápida — e mais eficiente — do que qualquer urgência legislativa.
No fim das contas, o pedido de vista cumpriu seu papel clássico: puxou o freio de mão com estilo e manteve o projeto exatamente onde ele já estava há anos.
Resultado: quando parecia que ia andar, parou. E a redução da maioridade penal segue firme — e imóvel — na longa fila do Congresso.
Nos bastidores, para quem esperava finalmente alguma resposta mais dura para menores envolvidos em crimes hediondos como assassinatos e estupros, restou uma dúvida incômoda: e quem se importa com as vítimas?
