A vitrine é de luxo, mas a conta é do contribuinte. O festival “Capital do Samba”, realizado em maio na Marina da Glória, reuniu medalhões como Alcione, Belo, Raça Negra, Alexandre Pires, Dilsinho e Sorriso Maroto — com ingressos que custaram R$ 185 (Arena Capital) e R$ 340 (Front Open Beer) por dia. Até aí, mercado. O detalhe indigesto vem depois.
A Riotur autorizou o patrocínio de R$ 1 milhão em dinheiro público para o evento — bancando parte de uma festa que cobrou ingresso pesado do próprio público que ajudou a financiá-la.
Na prática, o contribuinte entrou com a grana… e, para assistir, precisou entrar também com o cartão de crédito. Quem não pôde pagar ficou do lado de fora — enquanto áreas premium como “open bar” e setores VIP garantiam conforto para poucos.
O discurso oficial fala em fomento à cultura e turismo. Na ponta, o que se viu foi mais um evento com cara de privado e bolso público.
O roteiro não é novo. No show de Shakira, no Rio, a cena se repetiu: público espremido do lado de fora, assistindo de longe, enquanto convidados especiais desfrutavam da área VIP.
No fim das contas, a pergunta que fica é simples — e incômoda: cultura para quem?

