Enquanto o centro acumula lojas fechadas, o trânsito trava mesmo fora dos horários de pico e a população em situação de rua cresce a olhos vistos, a Prefeitura de Niterói resolveu apertar o play — e aumentar o volume — na agenda de festas. Contratos da Neltur publicados no DO desta quinta (28) já beiram R$ 5 milhões para bancar eventos da temporada. É som, luz e estrutura de sobra. Problema mesmo parece ser o silêncio sobre as prioridades.
O maior gasto vai direto para o espetáculo: mais de R$ 2,6 milhões só com som e iluminação. É mais da metade de tudo que será pago. Na prática, quase 85% do orçamento total está concentrado em fazer a festa acontecer com potência máxima e para todo mundo ver.
A conta segue crescendo com R$ 1,5 milhão em estrutura geral, R$ 279 mil em banheiros químicos, além de ambulâncias, trailers sanitários e outros serviços. Tudo necessário para eventos desse porte, claro. Mas a pergunta que fica é: diante de tantas prioridades, qual o tamanho real dessas festas — e qual o tamanho da conta por evento?
Em uma cidade que ainda enfrenta problemas estruturais visíveis no dia a dia, o contraste chama atenção. Comerciantes lutando para manter portas abertas, motoristas presos no caos urbano e políticas públicas que parecem não dar conta da vulnerabilidade social. Nesse cenário, investir milhões em festas levanta um debate inevitável: o que vem primeiro — o palco ou a cidade? O cidadão é quem paga, mas o governo é quem decide.
