POPULAÇÃO DIZ BASTA: Maioria apoia CV e PCC como terroristas, mostra pesquisa

Jefferson Lemos
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A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas caiu como um recado direto nas ruas do Brasil: a população está cansada de viver refém do crime. Pesquisa recente mostra que 62% dos brasileiros apoiam a medida — um número que escancara o nível de indignação de quem enfrenta a violência no dia a dia.

De Norte a Sul, o sentimento é o mesmo: chega de impunidade. Mesmo com críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aliados, que apontam riscos à soberania nacional e ao sistema financeiro, a maioria da população não comprou esse argumento. Para muitos brasileiros, o que pesa mais é a realidade nas ruas — assaltos, domínio territorial de facções e medo constante.

Os dados mostram que o apoio à medida é forte em todas as regiões do país, inclusive em áreas tradicionalmente favoráveis ao governo federal. O recado é claro: segurança pública virou prioridade absoluta. No Sul, mais de 71% aprovam a decisão; no Nordeste, mesmo com menor índice, quase 60% também são favoráveis. É um consenso raro em um país tão dividido politicamente.

O levantamento também evidencia diferenças entre perfis: homens apoiam mais do que mulheres, e jovens demonstram maior adesão à medida do que idosos em algumas regiões. Ainda assim, o sentimento predominante atravessa gerações — a percepção de que o crime organizado avançou demais e de que medidas mais duras são necessárias.

No campo político, o tema rapidamente ganhou protagonismo. O senador Flávio Bolsonaro se movimentou para capitalizar o debate e se posicionar como articulador no combate às facções. Mas, para além das disputas políticas, o que a pesquisa revela é algo mais profundo: o brasileiro comum já não aguenta mais ser vítima — e está disposto a apoiar qualquer ação que prometa frear o poder do crime organizado.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br