Já imaginou o bandido ser parado pela polícia e, no fim, receber um “protocolo de atendimento”? Pois essa é a ideia do novo projeto da deputada Heloísa Helena (Rede-RJ), que quer transformar abordagens policiais em algo parecido com um “canal do cliente”.
A proposta cria o Sistema Nacional de Registro de Abordagens Policiais (SIRAP), obrigando que toda abordagem seja registrada com data, hora, local, identificação do agente, motivo e resultado. E não para por aí: o sujeito ainda sai com um código digital para consultar tudo depois — como quem acompanha um pedido no aplicativo.
Na prática, nasce um “fale conosco” da segurança pública. O sistema vai permitir avaliar a abordagem, registrar reclamações, fazer denúncias, elogiar e até anexar vídeos e imagens. É quase um “como foi seu atendimento?” versão abordagem policial.
O projeto também conecta tudo com câmeras corporais, ouvidorias e bancos de dados do Ministério da Justiça, criando um raio-x das ações policiais em todo o país.
A justificativa é louvável: aumentar a transparência, coibir abusos e melhorar políticas públicas. Mas a proposta já chega gerando debate nos batidores: críticos apontam que o modelo pode abrir brecha para distorções, com criminosos avaliando negativamente bons policiais numa tentativa de desgastar ou até afastar agentes das ruas.
A implementação será gradual, começando por capitais e regiões metropolitanas. Se avançar, o velho “mão na parede” pode ganhar um complemento inesperado: “e não esquece de avaliar o atendimento”.
