No meio da semana do Dia Mundial do Meio Ambiente, o que era pra ser celebração virou alerta vermelho no Rio. A Comissão de Meio Ambiente da Alerj foi a campo e encontrou o que muita gente já denunciava: chorume sendo despejado de forma irregular em área que pode contaminar a Baía de Guanabara.
A fiscalização aconteceu no antigo Aterro de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias — um dos pontos mais críticos do estado. E não ficou só na vistoria: os agentes flagraram o descarte ilegal acontecendo na hora, com equipamento inadequado. Resultado? Os responsáveis foram levados direto para a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente.
O alvo da investigação é pesado: o chorume, aquele líquido tóxico que escorre do lixo, pode estar atingindo o Rio Sarapuí e, de lá, seguir direto para a Baía de Guanabara. Técnicos coletaram amostras para análise e agora o caso pode ganhar novos desdobramentos.
A operação reuniu uma força-tarefa com órgãos ambientais, polícia, pesquisadores e até representantes de pescadores — justamente quem mais sente o impacto. E o cenário é preocupante: há relatos de doenças graves, mortes e abandono da atividade pesqueira por causa da poluição.
A ação é consequência de uma audiência pública realizada em maio, que escancarou a crise no tratamento de chorume no estado. O trabalho é puxado pelo deputado Renato Machado (PT), vice-presidente da comissão, que também protocolou proposta para endurecer as regras.
Outro nome que entrou no caso é o deputado Marcelo Dino (PL), que participou da fiscalização e cobrou resultados mais rápidos para a população afetada.
A proposta em discussão prevê medidas mais duras: proibição de diluir chorume em esgoto, monitoramento em tempo real e até exames periódicos para pescadores e moradores da região.
“Não é só meio ambiente. É saúde pública”, resumiu Renato Machado (PT).
