O Rio de Janeiro pode terminar 2026 com um cenário bem diferente do previsto no início do ano: longe do rombo bilionário, e impulsionado por uma enxurrada de dinheiro vindo do petróleo. A arrecadação com royalties no país explodiu após a guerra no Irã e bateu recorde histórico em maio, passando de R$ 8 bilhões — um salto de 68% em apenas um mês, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
O efeito é direto no caixa do estado. Só em maio, o Rio embolsou cerca de R$ 1,8 bilhão, puxado principalmente pela valorização do barril acima de US$ 100. O pré-sal virou a grande salvação: o campo de Búzios, sozinho, despejou quase R$ 2 bilhões em royalties, com produção que representa um quinto de todo o petróleo do país.
Com a grana extra entrando forte, o governo já refaz as contas e trabalha para reduzir — e até praticamente eliminar — o déficit que antes era estimado em R$ 19 bilhões. A tendência é de continuidade: além do preço alto do petróleo, a produção nacional segue batendo recordes, o que deve manter os repasses em níveis elevados nos próximos meses.
Para o ex-diretor-geral da ANP, David Zylbersztajn, o momento é excepcional e reflete diretamente o cenário internacional, com a disparada dos preços do petróleo.”O governador [interino, Ricardo Couto] deve estar rindo de orelha a orelha”, disse.
