A Câmara dos Deputados apertou o gatilho — ao menos no papel. A Comissão de Segurança aprovou um projeto que libera o porte de arma para corretores de imóveis durante o trabalho. A cena que antes era só de chave na mão e visita guiada pode ganhar um novo elemento: arma na cintura.
O relator Capitão Alden (PL-BA) bancou a mudança com um argumento direto: corretor entra em área isolada, lida com desconhecido e, muitas vezes, vai sozinho. Para ele, é profissão de risco — e merece reação à altura. A proposta altera o Estatuto do Desarmamento para incluir a categoria entre as autorizadas.
O projeto nasceu com Delegado Caveira (PL-PA), mas foi turbinado no relatório. Caiu uma regra que poderia travar o dia a dia: a obrigação de registrar previamente cada visita, horário e deslocamento para poder andar armado. Na prática, seria um freio numa profissão movida a oportunidade de última hora.
Mas não é porte liberado geral. A arma só pode aparecer em serviço, e o corretor vai ter que passar pelo mesmo funil de sempre: teste psicológico, capacidade técnica e todas as exigências legais.
Agora o projeto segue para a CCJ. Se passar, encara plenário e Senado. Até lá, o debate está aberto — entre quem vê proteção e quem enxerga mais pólvora circulando onde antes só tinha contrato e comissão.
