PF revela 74 ligações entre Jaques Wagner e ex-sócio de Vorcaro

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Foto - Jefferson Rudy/Agência Senado

Um relatório da Polícia Federal colocou o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo Lula no Senado, no centro das investigações da Operação Compliance Zero. Segundo a PF, o parlamentar manteve uma rotina de contatos com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e investigado no caso Banco Master: foram 74 ligações em apenas 555 dias, somando mais de cinco horas e meia de conversas.

Para os investigadores, a frequência dos contatos não passou despercebida. O relatório afirma que as ligações reforçam indícios de proximidade entre o senador e o empresário e destaca que os dois priorizavam chamadas de voz por aplicativos de mensagens, evitando conversas por texto.

Os dados vieram do celular de Augusto Ferreira Lima, apreendido pela Polícia Federal durante a operação. A análise mostra que, entre novembro de 2023 e maio de 2025, houve uma média de uma ligação a cada sete dias e meio. A conversa mais longa durou 19 minutos.

O documento foi divulgado após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo do inquérito que apura a suposta relação de Jaques Wagner com Daniel Vorcaro e pessoas ligadas ao Banco Master.

PF aponta estratégia para dificultar rastreamento

Na avaliação da Polícia Federal, o padrão de comunicação chama atenção. Em vez de trocar mensagens escritas, Wagner e Augusto Ferreira Lima recorriam principalmente a chamadas de voz.

Segundo a investigação, essa prática reduz a produção de registros e seria compatível com estratégias de contrainteligência adotadas pelo grupo investigado. Os policiais também citam o uso de mensagens temporárias, áudios e expressões consideradas cifradas.

O relatório informa ainda que o número de Jaques Wagner estava salvo no celular do investigado desde janeiro de 2022.

Benefícios e atuação política estão sob investigação

A PF também apura se o senador recebeu vantagens indevidas. Entre os benefícios investigados estão o uso de helicópteros, hospedagens na chamada “Ilha da Paixão”, ingressos para shows da cantora Taylor Swift e a negociação de um apartamento de luxo em Salvador.

Além disso, os investigadores suspeitam que Jaques Wagner possa ter atuado para favorecer interesses do Banco Master no Congresso Nacional, incluindo articulações envolvendo mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Mendonça cita risco de vazamento

Ao levantar o sigilo do caso, o ministro André Mendonça afirmou ter identificado risco de comprometimento da investigação.

Na decisão, ele menciona que, em 9 de junho de 2026, Jaques Wagner solicitou uma audiência em seu gabinete justamente no dia em que a Polícia Federal apresentou pedidos de quebra de sigilo e outras medidas investigativas.

Para o ministro, o episódio reforçou a necessidade de agir rapidamente diante da suspeita de que os investigados poderiam antecipar ou monitorar diligências da Polícia Federal.

A investigação continua em andamento. As suspeitas apresentadas pela PF ainda serão analisadas pelo STF, e não há decisão definitiva sobre o caso.

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