O alívio durou pouco. Logo após a prisão do homem que invadiu uma residência e a estuprou em Vitória de Santo Antão (PE), a cuidadora de idosos de 44 anos enfrenta agora um novo inimigo: o medo paralisante da impunidade. O caso, que chocou o estado e viralizou após imagens de câmeras de segurança mostrarem a audácia do criminoso, acende um alerta vermelho sobre a segurança de mulheres e uma legislação ultrapassada.
Em desabafos emocionados nas redes sociais, a vítima não esconde o pânico. “A gente não tem paz nem dentro do nosso ambiente de trabalho. Agora, além do trauma da violência, sou obrigada a viver com o medo de que a Justiça solte ele a qualquer momento”, desabafou. (veja o vídeo)
O receio da cuidadora não é infundado. No Brasil, o andamento de processos criminais frequentemente reabre feridas nas vítimas. Mecanismos como os prazos longos para julgamento e a possibilidade de responder ao processo em liberdade fazem com que muitas mulheres violentadas vivam sob a sombra de reencontrar seus agressores na esquina.
‘Vocês estão esperando a próxima vítima?’, questionou a cuidadora, visivelmente abalada e indignada.
O crime aconteceu no último dia 24, quando um homem pulou o muro da residência onde a cuidadora de idosos, de 44 anos, trabalhava. Sob fortes ameaças e violência, o criminoso estuprou a vítima e roubou R$ 200, fugindo em seguida; toda a ação e o desespero da trabalhadora foram capturados por câmeras de segurança, o que gerou grande revolta popular e mobilizou a polícia até a prisão do suspeito dias depois.
O debate sobre as leis brasileiras
O caso reacendeu uma discussão antiga e inflamada que divide as redes sociais e o meio jurídico. De um lado, defensores dos direitos das vítimas apontam que o Código Processual Penal brasileiro — que data da década de 1940 — e suas reformas posteriores muitas vezes priorizam o direito de defesa do acusado em detrimento do amparo e da proteção psicológica de quem sofreu o crime. Critica-se a facilidade com que progressões de regime ou liberdades provisórias são concedidas em crimes de extrema violência. Dou outro, movimentos sociais que defendem uma política de desencarceramento e até mesmo vitimização e a romantização de criminosos, que acabam por estimular a bandidolatria no país.
