Gagliasso vai ao Amapá reforçar ato de Nikolas contra Alcolumbre

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Candidato a deputado federal, parlamentar fluminense cancelou compromissos de campanha para participar de manifestação que cobra do presidente do Senado andamento de pedido de impeachment de Alexandre de Moraes

Em plena campanha por uma vaga na Câmara dos Deputados, o deputado estadual Thiago Gagliasso (PL-RJ) decidiu interromper sua agenda eleitoral no Rio de Janeiro e atravessar o país para participar, neste domingo (13), em Macapá, da manifestação convocada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

O ato teve como principal alvo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e foi realizado justamente em seu reduto eleitoral. A estratégia anunciada por Nikolas era levar para o Amapá a pressão pelo andamento dos pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Gagliasso anunciou a decisão de viajar para Macapá em um vídeo publicado nas redes sociais na manhã de domingo, ainda no aeroporto. Na gravação, afirmou que estava cancelando compromissos de campanha para se juntar à mobilização.

“Nenhum cargo que a gente está almejando pode ser maior que a prioridade de pressionar Davi Alcolumbre, e nada melhor do que fazer isso na casa dele, no Amapá, no Macapá, na rua Araxá, às 15h. Parabéns, Nikolas Ferreira. Estamos chegando aqui do Rio de Janeiro para poder somar contigo!”, declarou.

A participação no ato reforça uma aproximação política que já vinha sendo exibida publicamente pelos dois parlamentares. No fim de julho, Nikolas gravou um vídeo declarando apoio à candidatura de Gagliasso a deputado federal pelo Rio de Janeiro e pediu aos eleitores fluminenses que conhecessem o trabalho desenvolvido pelo aliado na Assembleia Legislativa (Alerj).

Eleito deputado estadual em 2022 com 102.038 votos, Gagliasso tenta agora trocar a Alerj pela Câmara dos Deputados. Sua candidatura pelo PL está registrada e deferida pela Justiça Eleitoral.

Pressão no reduto de Alcolumbre

A manifestação em Macapá foi anunciada por Nikolas Ferreira durante o ato de 7 de Setembro realizado na Avenida Paulista, em São Paulo. Em vez de concentrar a mobilização em Brasília ou em grandes centros do Sudeste, o deputado mineiro escolheu o estado representado por Alcolumbre para aumentar a pressão política sobre o presidente do Senado.

O protesto ocorreu às 15h, na região da Curva do Araxá, e reuniu apoiadores de diferentes estados. Vestidos majoritariamente de verde e amarelo, manifestantes entoaram palavras de ordem contra Alcolumbre e cobraram o avanço dos pedidos de impeachment de Alexandre de Moraes.

Nikolas puxou o coro de “Fora, Davi” e voltou a defender que o Senado dê andamento às denúncias apresentadas contra o ministro do Supremo.

A pressão sobre Alcolumbre aumentou nas últimas semanas, em meio à nova crise envolvendo integrantes do STF e às repercussões das investigações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Parlamentares da oposição voltaram a cobrar que o presidente do Senado analise os pedidos apresentados contra Moraes.

Alcolumbre, entretanto, não sinalizou disposição para atender à reivindicação. Antes mesmo da manifestação, informações divulgadas pela imprensa indicavam que o senador pretendia aguardar os desdobramentos no próprio Supremo antes de tomar uma decisão sobre novos pedidos de impeachment.

De olho em Brasília

Para Gagliasso, a viagem também tem significado eleitoral.

Aos 37 anos, o parlamentar disputa pela primeira vez uma cadeira na Câmara dos Deputados e busca ampliar para Brasília uma atuação política marcada pela identificação com o bolsonarismo e com pautas conservadoras.

Sua presença em Macapá ao lado de Nikolas — um dos principais nomes do PL nas redes sociais e que já declarou publicamente apoio à sua candidatura — reforça essa estratégia de posicionamento nacional.

Ao justificar a decisão de cancelar compromissos eleitorais no Rio, Gagliasso procurou justamente apresentar sua participação na manifestação como uma escolha política acima dos interesses imediatos da própria campanha.

A pouco menos de três semanas do primeiro turno, trocar um dia de campanha no estado onde precisa conquistar votos por uma viagem de mais de 2,8 mil quilômetros até Macapá foi também uma maneira de deixar claro ao eleitorado com qual campo político pretende se alinhar caso consiga chegar à Câmara dos Deputados.

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