Parece comunidade em dia de operação policial. Mas é uma universidade federal

Jefferson Lemos
Foto - Reprodução

Parece cena de comunidade em dia de operação policial: barricada, fogo, fumaça e uma barreira para impedir a passagem. Só que não é traficante tentando evitar a entrada da polícia. É dentro da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, a UFRRJ, onde a barricada foi usada para bloquear o acesso de professores, alunos e funcionários que não aderiram à paralisação contra o arrocho do governo Lula contra as universidades, movimento nacional que acontece nesta quarta (23).

Relatos e imagens que circulam de várias outras universidades pelo país mostram manifestantes empilhando mesas e cadeiras para bloquear portas de pavilhões inteiros. Entre as principais reivindicações estão a recomposição e ampliação do orçamento das universidades e institutos federais, mais recursos para assistência estudantil, melhorias na infraestrutura e segurança dos campi, contratação e valorização de professores e técnicos e o cumprimento de demandas que ficaram pendentes após a greve de 2024. Entidades do setor também cobram avanços nas carreiras e condições de trabalho dos servidores

Ou seja: falta de dinheiro, custeio, pesquisa, assistência estudantil e estrutura são problemas reais. E o governo precisa responder por isso.

Protestar contra Brasília? Legítimo.

Fazer greve? Legítimo.

Pressionar por mais recursos? Mais do que legítimo.

Mas quando a manifestação chega ao ponto de erguer uma barricada para impedir a entrada de quem decidiu não aderir, a discussão muda de figura.

Desde quando, em nome da democracia, se transforma a universidade pública em território onde só passa quem concorda com o movimento?

Porque democracia também é garantir o direito de quem pensa diferente.

É a famosa “democracia para mim, mordaça para você”.

A imagem fala por si. Só faltou o ônibus queimado.

Veja os vídeos e fotos:

 

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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