Analista da Eurasia Group diz que medidas anunciadas a duas semanas da eleição dificilmente mudam votos; inflação, dívidas e desconfiança pesam mais na decisão do voto
Achar que um benefício anunciado em cima da eleição vai virar votos pode ser um erro — e dos grandes. Christopher Garman, diretor-executivo da Eurasia Group para as Américas, mandou um recado direto aos políticos: “As pessoas subestimam a inteligência do eleitor mediano”.
Durante o WW Talks, da CNN Brasil, nesta terça-feira (13), o analista avaliou que medidas anunciadas a apenas duas semanas do segundo turno têm pouco potencial para mudar o resultado nas urnas. O motivo? O eleitor não olha apenas para o benefício: também quer saber por que ele não chegou antes.
Garman apontou a inflação e o endividamento das famílias como fatores que alimentam o ceticismo em relação a um novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com o orçamento apertado e as contas acumuladas, anúncios de última hora podem não ser suficientes para conquistar quem está insatisfeito com a economia.
A avaliação coloca em dúvida a eficácia eleitoral de medidas como o reajuste do Bolsa Família na reta final da campanha. Afinal, benefício anunciado perto da votação não apaga automaticamente o desgaste acumulado durante o governo.
A conclusão é um alerta para quem aposta no poder do dinheiro e dos anúncios de última hora para conquistar o eleitor: o brasileiro pode até receber o benefício, mas isso não significa que vai entregar o voto.
O Eurasia Group é uma das maiores consultorias globais de análise de risco político e geopolítico do mundo. Fundada em 1998 pelo cientista político norte-americano Ian Bremmer, a empresa ajuda investidores, grandes corporações e líderes governamentais a entenderem como decisões políticas, cenários eleitorais, conflitos e mudanças regulatórias impactam mercados e negócios Globais.
