Há males que vêm para o bem: o abandono virou livramento para Douglas Ruas

Jefferson Lemos
Foto - Erick Quintanilha/Alerj

Quando tiraram Douglas Ruas do caminho do Palácio Guanabara e a linha sucessória foi judicializada e virou uma confusão política, tudo parecia uma tragédia. Mas, como diz o ditado, há males que vêm para o bem.

Ao ver Eduardo Paes liderando as pesquisas, caciques políticos abandonaram Douglas e correram para o lado que parecia ter a vitória nas mãos. Só que a política tem dessas ironias: ao virar as costas para Douglas, podem ter feito um favor ao, hoje, futuro governador.

Sem essa turma na bagagem, Douglas ganha a oportunidade de chegar ao governo com liberdade para escolher sua equipe, sem precisar pagar a conta de apoios que lhe virarem as costas na hora difícil, revelando suas verdadeiras faces.

Afinal, a gestão Cláudio Castro mostrou o estrago que acontece quando determinadas moscas e ervas daninhas deixam de apenas rondar o poder e passam a ocupar espaços estratégicos, influenciar decisões e dar as cartas nos bastidores.

Agora, o cenário pode ser diferente. Douglas construiu sua candidatura com sua trajetória, a estrutura partidária do PL e a força do bolsonarismo. Tem, portanto, a oportunidade de montar um governo com a sua cara, escolhendo quem trabalha por resultados — e não quem chega cobrando a fatura do apoio político.

Dizem que o que não mata, fortalece. Douglas, no fim das contas, saiu dessa turbulência politicamente mais forte, com a chance de governar sem ficar refém de quem o abandonou quando as pesquisas apontavam outro caminho.

As moscas continuarão sobrevoando o Palácio Guanabara. Isso faz parte da política. A diferença é que, desta vez, o futuro governador poderá decidir quem pousa e quem vai continuar voando.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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