Flávio vai à Globo, rebate ataques e promete mudança: ‘O Brasil está sem presidente’

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Candidato do PL descarta cortar direitos sociais, promete devolver poder de compra ao brasileiro, endurecer o combate ao crime e diz que precisa de apenas um mandato para consertar o país

Flávio Bolsonaro foi direto na entrevista à Rede Globo: não pretende fazer ajuste fiscal sacrificando os mais pobres, não vai mexer nos reajustes do salário mínimo acima da inflação e promete atacar o que considera o verdadeiro problema das contas públicas: corrupção, desperdício e privilégios.

Diante das perguntas duras e pegadinhas da entrevistadora Renata Lo Prete, o candidato não se deixou intimidar e rebateu o que classificou como fake news e críticas à sua candidatura com propostas para a economia, a segurança pública e a saúde.

Questionado sobre as propostas econômicas de seu governo, o candidato do PL negou que pretenda desvincular as aposentadorias do salário mínimo ou acabar com os pisos constitucionais de saúde e educação. Para ele, o ajuste precisa começar pela máquina pública, e não pelo bolso de quem mais precisa.

Flávio prometeu reduzir pelo menos dez dos 39 ministérios do governo federal, combater a corrupção nas estatais e buscar novas receitas com a utilização de imóveis públicos e a recuperação de dívidas da União. Também defendeu a exploração de petróleo na Margem Equatorial como oportunidade para ampliar os recursos do país.

O candidato aproveitou para comparar os governos Lula e Bolsonaro. Segundo ele, as estatais passaram de um superávit de R$ 18 bilhões na gestão de seu pai para um prejuízo acumulado de R$ 36 bilhões no governo atual. A diferença, argumentou, mostra o tamanho do problema que pretende enfrentar.

Escala 6X1 será mantida

Um dos momentos mais importantes da entrevista foi a discussão sobre o fim da escala 6×1. O candidato afirmou que respeitará a decisão do Congresso e descartou trabalhar para reverter a mudança caso chegue à Presidência. Também prometeu ampliar o acesso a creches, inclusive com vouchers para famílias que não encontrarem vagas na rede pública.

Mas fez uma ressalva: o trabalhador precisa de mais do que um dia de descanso. Precisa de dinheiro suficiente para chegar ao fim do mês e de segurança para circular nas ruas sem medo de assaltos.

A promessa é combinar a redução da jornada com medidas para recuperar o poder de compra e enfrentar a criminalidade.

Um mandato só para consertar o país

Flávio também assumiu um compromisso político: se eleito, pretende governar por apenas um mandato, mesmo que o Congresso não aprove uma mudança na Constituição para acabar com a reeleição presidencial.

A proposta, segundo ele, é evitar que o presidente passe o governo inteiro pensando na próxima eleição.

“Eu só preciso de um mandato”, afirmou, ao defender que o foco de sua gestão será o trabalhador brasileiro, a recuperação da economia e a melhoria das condições de vida da população.

Reforma do judiciário e fim dos privilégios

Na entrevista, o candidato voltou a defender mudanças no Judiciário, com redução de decisões individuais de ministros, revisão de regras sobre julgamentos criminais envolvendo parlamentares e restrições a situações que possam gerar conflitos de interesse.

Flávio criticou a atuação do ministro Alexandre de Moraes e defendeu que integrantes do Supremo Tribunal Federal também respondam por eventuais infrações à lei.

Sobre suspeitas envolvendo outros ministros, sua posição foi a mesma: ninguém deve estar acima da lei. A defesa, segundo ele, é de que as regras valham para todos, sem exceções.

O candidato também sustentou que os chamados penduricalhos dos três Poderes representam uma despesa bilionária e que o combate aos privilégios precisa fazer parte do ajuste fiscal.

Guerra ao PCC, ao CV e às milícias

Se a economia é uma das vitrines da campanha, a segurança pública é outra aposta central de Flávio.

Ele prometeu convocar os comandantes das Forças Armadas e chefes das polícias estaduais para uma ação coordenada contra o narcotráfico. Defendeu classificar organizações como PCC, Comando Vermelho e milícias como narcoterroristas e anunciou a intenção de reforçar o controle das fronteiras.

O plano também inclui mais de um milhão de câmeras com inteligência artificial, integradas aos sistemas de segurança e aos mandados de prisão. A proposta é ampliar a capacidade de identificar criminosos e permitir que as forças policiais atuem com mais rapidez.

Flávio ainda prometeu atualizar a legislação penal para endurecer as punições contra integrantes de organizações criminosas.

Padrão Einstein no SUS

Flávio anunciou o médico Cláudio Lottenberg para o Ministério da Saúde e apresentou uma proposta ambiciosa: levar ao SUS práticas de gestão e tecnologia utilizadas no Hospital Israelita Albert Einstein.

Entre as medidas citadas estão a ampliação da telemedicina, a criação de um prontuário eletrônico integrado e o uso de vagas ociosas da rede privada para atender pacientes que enfrentam longas filas no sistema público.

A ideia é conectar as redes municipais, estaduais, federal e privada para acelerar consultas e procedimentos, inclusive cirurgias que poderiam ser realizadas mais rapidamente fora da rede pública.

‘Eu vou trabalhar com a verdade’

No encerramento, Flávio tentou se diferenciar de Lula com três compromissos: não prometer o que não pode entregar, recuperar a economia para devolver o poder de compra aos brasileiros e enfrentar a criminalidade para que as famílias voltem a circular com segurança.

Sua mensagem final foi um apelo por mudança. Em vez de apostar em promessas que considera eleitoreiras, Flávio apresentou a imagem de um governo voltado para a economia, a segurança e o combate aos privilégios.

A entrevista deixou claro o eixo de sua candidatura: transformar a insatisfação com o governo Lula em votos, apostando na promessa de colocar o cidadão no centro das decisões e enfrentar problemas que afetam diretamente a vida cotidiana dos brasileiros.

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