A conta chegou: a utopia progressista e as fronteiras abertas incendeiam a Europa

Jefferson Lemos
Foto - Reprodução

O caos que toma as ruas de Paris, Lisboa e Madri não é um acidente de percurso: é o resultado previsível de décadas de governos fracos, assistencialismo insustentável e uma agenda globalista que está destruindo o Continente Ocidental por dentro

A Europa está em chamas. Já são quase 2 mil manifestantes detidos e 150 policiais feridos apenas na França. Em Limoges, no centro da França a sede da prefeitura foi incendiada e parte do edifício, inaugurado em 1883, foi destruído. Em vários pontos do país prédios públicos foram vandalizados e lojas foram saqueadas. O que os grandes veículos de imprensa tentam vender como “protestos estudantis por mais verbas” é, na verdade, a apoteose do colapso de um modelo. Dos subúrbios de Paris aos acampamentos em Madri e Lisboa, o cenário é o mesmo: serviços públicos colapsados, inflação fora de controle, insegurança nas ruas e uma população jovem sem perspectiva.

A pergunta que a narrativa tradicional evita fazer é simples: como um dos continentes mais ricos do mundo chegou a esse ponto?

A resposta não está na “falta de impostos” — a Europa tem uma das maiores cargas tributárias do planeta, embora muito atrás do Brasil. A resposta está na escolha deliberada por governos fracos, omissos e alinhados a uma pauta progressista que minou as bases da sociedade europeia.

Fronteiras abertas e o colapso dos serviços públicos

Durante anos, a direita alertou: imigração desenfreada sem integração cultural e sem capacidade fiscal de absorção gera caos social.

Governos liberais de fachada e a esquerda europeia preferiram o discurso do “politicamente correto” à responsabilidade com seus próprios cidadãos. O resultado? Bairros inteiros transformados em zonas de exclusão, escolas públicas sobrecarregadas e incapazes de atender à demanda, e um sistema de bem-estar social (o Welfare State) estrangulado.

Hoje, a conta não fecha. A infraestrutura escolar e de saúde sucumbiram, a legislação se tornou permissiva, a polícia foi fragilizada e a própria juventude local agora colhe os frutos de uma política populista de portas abertas para a imigração.

Governo fraco e rombo fiscal

Diante do colapso iminente, o que fizeram os líderes europeus? O mesmo de sempre: empurraram com a barriga, igual ao Brasil. Com rombos fiscais astronômicos e déficits públicos batendo recordes, governos fracos e sem coragem política tentam agora impor um arrocho de última hora.

Sem moral para governar e sem credibilidade diante da população, o poder público virou refém de sindicatos radicais e de movimentos de rua que exigem mais dinheiro de onde já não há mais nada para tirar. É o ciclo vicioso do progressismo: cria-se o problema, culpa-se o mercado e exige-se mais Estado para “resolver”.

O alerta para o Brasil: a receita do fracasso importada da Europa

O que acontece na Europa hoje não é apenas um problema distante; é um espelho do futuro que a esquerda tenta desenhar para o Brasil.

O modelo que destruiu a França e a Península Ibérica é exatamente a cartilha defendida pelo progressismo nacional:

  • Desprezo pelo teto de gastos e pela responsabilidade fiscal, maquiado de “investimento social”.
  • Relativização de fronteiras e soberania, abrindo mão de critérios rígidos de segurança e controle.
  • Aparelhamento da educação, focando em doutrinação ideológica enquanto a infraestrutura básica e a qualidade do ensino despencam.
  • Ataque à propriedade privada e ao livre mercado, gerando a mesma crise de moradia e fuga de capitais vista nas capitais europeias.

Se o Brasil continuar trilhando o caminho da gastança desenfreada, do inchaço estatal e da omissão diante do avanço da criminalidade e da desordem, o resultado não será diferente. Em poucos anos, as imagens de destruição que hoje vemos em Paris serão a rotina das nossas próprias metrópoles.

A Europa serviu de laboratório para a utopia social-democrata. O experimento falhou miseravelmente. Resta saber se o Brasil aprenderá com o erro dos outros ou se pagará para ver.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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