Um repasse milionário da Prefeitura de Angra dos Reis para um festival de artes cênicas virou o assunto mais falado da cidade nas últimas semanas. A destinação de R$ 800 mil dos cofres públicos para a realização do Encontro Nacional de Teatro de Rua (Entrar), feita sem processo licitatório amplo, gerou uma onda de questionamentos entre moradores,oposição política e produtores culturais locais.
A polêmica ganhou força após a publicação da dispensa de licitação para o evento no Diário Oficial desta quarta-feira (28), sob o Termo de Inexigibilidade nº 212/2026/SCP. O montante será repassado ao Grupo Cutucurim, tradicional companhia da região e idealizadora do projeto, que retorna ao município após cerca de dez anos de hiato.
Críticos do gasto questionam a oportunidade e o volume da verba. A principal cobrança de parlamentares de oposição e de munícipes nas redes sociais gira em torno da ausência de concorrência pública para cotar preços, além da comparação do montante com áreas prioritárias da cidade, como saneamento básico e saúde. Integrantes da própria cena cultural independente também cobram mais clareza nos critérios de repasse e pedem abertura de editais concorrenciais para o setor.
Por outro lado, a administração municipal e os organizadores defendem a legalidade do ato e o impacto social do projeto.Segundo a prefeitura e a Secretaria de Cultura, o investimento cobre dez dias de programação descentralizada em mais de 18 bairros — incluindo a Ilha Grande —, custeando transporte, hospedagem, logística e cachê de dezenas de companhias nacionais e internacionais, além de uma bolsa cultural distribuída a artistas e entidades locais parceiras, como o Ateneu Angrense e a Casa do Artesão.
Com a repercussão pública em alta, a expectativa agora gira em torno do acompanhamento dos órgãos de controle, como o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e o Tribunal de Contas (TCE-RJ), para a fiscalização detalhada da planilha de custos e da prestação de contas do evento. Com a palavra, a prefeitura. O espaço segue aberto para o pronunciamento oficial.
