Depois de ver os carros da BYD tomarem as ruas, a Shein dominar os armários e a Keeta desafiar o iFood, o brasileiro enfrenta o capítulo mais silencioso — e invasivo — da expansão chinesa no país: a disputa pelo controle da sua atenção diária. E a meta é clara: desbancar o império da Globo e ditar o que a população consome de informação e publicidade enquanto espera o elevador.
O alvo dessa ofensiva é a Eletromidia, gigante do setor de mídia Out-Of-Home (OOH) controlada pelo Grupo Globo.
Quem lidera a invasão é a Focus Media, um colosso chinês avaliado em US$ 11 bilhões e financiado pelo Alibaba. A velocidade do avanço impressiona: enquanto a Eletromidia levou duas décadas para construir sua rede de 90 mil telas no Brasil, os chineses instalaram 20 mil telas em 5 mil prédios no Rio de Janeiro e em São Paulo em apenas seis meses.
A meta da Focus Media é atingir 100 mil telas em 18 meses — o suficiente para ultrapassar a Globo e assumir o controle absoluto do setor.
Oferecendo telas de última geração a custo zero para os condomínios, a empresa aplica uma tática de sufocamento comercial. Mas o verdadeiro impacto vai muito além da concorrência de negócios:
- Controle da atenção e narrativa: Ao dominar essa infraestrutura nos prédios residenciais e comerciais das maiores capitais, um grupo alinhado aos interesses de Pequim passa a ter poder direto sobre o que o brasileiro lê, vê e absorve todos os dias.
- Audiência 100% cativa: Diferente da TV tradicional ou do celular, no elevador não existe botão de pular anúncio, mudar de canal ou fechar a aba. O público absorve a mensagem de forma inevitável.
- Circuito fechado de capital: Marcas chinesas em rápida ascensão no país tendem a injetar suas verbas publicitárias diretamente na Focus Media, criando um ecossistema próprio que atropela veículos,agências e produtoras locais.
O dragão chinês já veste o brasileiro, entrega sua comida e roda pelas suas ruas. Agora, acelera para desbancar a Globo e assumir o controle do que o país assiste — um edifício de cada vez.
