A verdade sobre a queda do desemprego: bicos e informais entram na conta e inflam números de novos postos de trabalho

Jefferson Lemos
Foto - Google Imagens

Quem olha de longe a última estatística do mercado de trabalho divulgada pelo IBGE é capaz de soltar fogos. A taxa de desemprego caiu para 5,2% no terceiro trimestre, atingindo o menor patamar em mais de uma década. O anúncio oficial veio com tom de festa, mas basta dar um passeio pelo ponto de ônibus, conversar com um motorista de aplicativo ou olhar em volta para perceber que a conta simplesmente não fecha no bolso do trabalhador real.

Por trás dos números comemorados, a verdade nua e crua é uma só: a queda na taxa não veio acompanhada por uma enxurrada de empregos com carteira assinada. O mercado formal no setor privado não saiu do lugar — ficou estagnado na casa dos 39,4 milhões de contratados.

Então, para onde foram os mais de 200 mil brasileiros que saíram da fila do desemprego?

A resposta está na informalidade: são os que “se viram” na correria das ruas trabalhando por conta própria, pegando entregas, vendendo produtos sem garantia de renda no fim do mês ou encarando bicos sem qualquer proteção trabalhista.

Para o IBGE, se você trabalhou apenas uma hora na semana vendendo qualquer coisa para conseguir colocar comida na mesa, parabéns: você já não é mais “desempregado”. Hoje, são quase 39 milhões de pessoas vivendo na informalidade no país. Mas e o direito a férias, 13º salário, FGTS e a segurança de saber quanto vai entrar no mês que vem? Isso a estatística oficial prefere não destacar.

E tem mais: para o IBGE, se uma pessoa optou por não querer trabalhar, qualquer que seja o motivo, e por isso não procura emprego, não é reconhecida como desempregada. Quem vive de bolsa famíliave não quer trabalhar, também não é considerado desempregado.

A verdade é que o brasileiro que não vive de assistencialismo não parou de trabalhar — porque quem tem conta para pagar não pode se dar ao luxo de esperar. Mas trocar a fila do desemprego pela incerteza da informalidade não é motivo para comemoração acalorada. O número caiu n papel, é verdade, mas a realidade mostra que a qualidade de vida e a estabilidade da maioria das famílias continuam na corda bamba.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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