Alerj abre portas de trabalho para mais de 650 pessoas com deficiência

Jefferson Lemos

Mais do que gerar empregos, a parceria entre a Alerj e a Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef) devolve autonomia, dignidade e oportunidades para quem durante muito tempo ficou à margem do mercado de trabalho. Hoje, 658 pessoas com deficiência trabalham por meio da entidade em órgãos públicos e empresas privadas — muitas delas dentro da própria Assembleia Legislativa.

Criada em 1981 pela ex-deputada Tânia Rodrigues, que morreu em maio deste ano, a Andef virou uma referência nacional em inclusão. Na Alerj, profissionais da associação atuam em áreas estratégicas como atendimento ao público, telefonia, recepção, manutenção predial, elevadores e mecânica da frota, mostrando que competência não tem limitação.

Como reconhecimento a essa trajetória, os deputados estaduais aprovaram o Projeto de Lei 7.106/26, que dá o nome de Tânia Rodrigues a um trecho da RJ-100, em Niterói, onde fica a sede da Andef. A proposta agora aguarda a sanção do governador.

Para Vera Pontes, de 60 anos, telefonista da Alerj e integrante da Andef desde 2019, trabalhar na Assembleia representa muito mais que um emprego. “É visibilidade.” Vítima da poliomielite ainda na infância, ela diz que a inclusão verdadeira muda vidas dos dois lados. “Nós somos a voz que liga o cidadão ao Parlamento. A Alerj ganhou com a presença das pessoas com deficiência, e nós ganhamos a oportunidade de mostrar nossa capacidade.”

A transformação também pode ser medida pela história de Felipe Soares. Ele chegou à Andef para fazer fisioterapia, descobriu o esporte paralímpico, representou o Brasil em competições internacionais e hoje integra a equipe de Recursos Humanos da própria instituição. “A cadeira de rodas me deu asas”, resume.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br