Prepare o bolso! Aumento de impostos vai deixar veterinário mais caro em 2026

Jefferson Lemos
Enquanto procedimentos médicos para pessoas terão benefícios tributários ampliados, os serviços veterinários ficarão sob uma carga maior de impostos (Freepik)

A reforma tributária em fase final de regulamentação promete mexer diretamente no bolso dos tutores de cães e gatos em todo o Brasil. As novas regras estabelecem um tratamento desigual entre a saúde humana e a veterinária, criando um cenário de alta nos preços de consultas, exames, cirurgias e internações em clínicas e hospitais especializados.

Enquanto procedimentos médicos para pessoas terão benefícios tributários ampliados, os serviços veterinários ficarão sob uma carga maior de impostos. Na prática, isso significa que cuidados básicos e essenciais para os animais de estimação — como consultas de rotina, exames laboratoriais e até internações — devem ficar mais caros.

Para agravar a situação, a alimentação dos pets não foi incluída na lista de produtos com redução de impostos, ampliando a pressão sobre o orçamento das famílias.

Marcelo Costa Censoni Filho, especialista em Direito Tributário, alerta para a distorção criada pela reforma:

“A medicina veterinária moderna utiliza a mesma tecnologia, estrutura e complexidade da medicina humana. Hospitais veterinários hoje contam com UTI, exames avançados e tratamentos de alta complexidade. Criar uma diferença tributária entre essas duas áreas é penalizar quem busca atendimento de qualidade.”

O impacto será ainda mais severo para famílias de baixa renda, que podem adiar consultas preventivas, interromper tratamentos contínuos ou recorrer a alternativas informais. Além de comprometer o bem-estar dos animais, essa realidade pode gerar reflexos na saúde pública, especialmente no controle de doenças transmissíveis.

Censoni também aponta riscos para o setor: clínicas de pequeno e médio porte, já operando com margens apertadas, podem reduzir serviços, fechar as portas ou migrar para a informalidade.

O tema segue em debate no Congresso, mas especialistas defendem que a correção dessa distorção é urgente. Afinal, o cuidado com os animais deixou de ser luxo e passou a integrar a rotina das famílias brasileiras. Para o tributarista, trata-se de uma questão de equidade social, coerência tributária e saúde pública.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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