No Rio de Janeiro, a cena é digna de um roteiro tragicômico: enquanto camelôs são reprimidos pela prefeitura, o Airbnb recebe tapete vermelho e se torna patrocinador oficial do Carnaval de Rua 2026. A oposição acusa a prefeitura de aplicar dois pesos e duas medidas — mão pesada para os pobres, glamour para os bilionários.
Hotelaria em choque
O anúncio caiu como uma bomba no setor hoteleiro. Entidades como a ABIH e o SindHotéis RJ denunciam que a pressão das plataformas de aluguel já levou ao fechamento de mais de 150 hotéis nos últimos anos, com perda direta de empregos formais. Para os empresários, ver a marca Airbnb estampada como parceira oficial da prefeitura é um verdadeiro soco no estômago.
Concorrência desleal
Enquanto hotéis pagam ISS, PIS, COFINS e taxas de licenciamento rigorosas, muitos anfitriões do Airbnb operam como pessoa física, com carga tributária mínima, tais quais os camelôs. O desequilíbrio é tão gritante que a reforma tributária de 2026 prevê alíquotas que podem chegar a 44,3% para grandes locadores, numa tentativa de nivelar o jogo.
Prefeitura presente, mas do lado errado
Outro detalhe que causa estranheza: diferente da costumeira ausência em debates polêmicos, a prefeitura tem enviado representantes às audiências públicas da Câmara para discutir a regulamentação das plataformas. Só que, segundo o setor hoteleiro, a presença não é para defender a hotelaria formal, mas para legitimar o Airbnb.
O Carnaval da contradição
Riotur celebrou o acordo como parte de um “novo modelo de patrocínios”, vendendo a ideia de que o Airbnb conecta foliões a “experiências autênticas”. Para os hoteleiros, é deboche institucional: enquanto eles agonizam sob impostos e burocracia, a prefeitura oficializa a concorrência que os sufoca.
Marchinha pronta
Se fosse música, o refrão seria inevitável:
“Camelô reprimido, hotel falido,
Airbnb sorrindo, prefeitura aplaudindo.”
No palco do Carnaval carioca, quem dança mesmo é a hotelaria — mas não de alegria.
