Debandada anunciada: 40% já querem pular fora do Brasil, mostra pesquisa Febraban

Jefferson Lemos
Quase metade dos brasileiros sonha em dar adeus ao país — não por turismo, mas por pura sobrevivência (Arquivo/EBC)

Quase metade dos brasileiros já está com a mala imaginária pronta. Segundo o Observatório Febraban, 40% da população gostaria de deixar o país, enquanto apenas 57% ainda tentam acreditar que dá para ficar. O levantamento ouviu 3 mil pessoas entre novembro e dezembro de 2025 e escancarou o óbvio: o Brasil virou exportador de sonhos frustrados.

Juventude na fila do embarque

O desejo de fuga é geracional. Na Geração Y (1980–1995), 50% querem morar fora, e na Geração Z (1995–2010), o índice é de 44%. Já os mais velhos parecem resignados: apenas 35% da Geração X e 25% dos Baby Boomers ainda alimentam a fantasia de começar de novo em outro país. Em outras palavras, os jovens não querem esperar a aposentadoria para descobrir que o INSS é uma miragem.

Destinos preferidos: Europa, o ‘novo quintal’

A Europa lidera como o sonho dourado dos emigrantes: 60% das menções, com Portugal no topo (22%), seguido por Itália (12%), Espanha (8%), Inglaterra (7%) e Suíça (6%). A América do Norte vem logo atrás, com os Estados Unidos citados por 37% e o Canadá por 9%. Até Japão (5%) e China (4%) entraram na lista, porque, convenhamos, qualquer lugar parece melhor que pagar imposto e não ver retorno.

O drama da imigração

Mas não basta querer: emigrar exige enfrentar burocracias, vistos e processos seletivos que podem transformar o sonho em pesadelo. Afinal, não é só atravessar a ponte aérea; é provar que você tem algo a oferecer além de paciência para filas e tolerância a juros altos.

O retrato da frustração nacional

O estudo ainda revela que 56% dos brasileiros acreditam que a imagem do país no exterior não é positiva. Ou seja, além de querer sair, o brasileiro já sabe que não será recebido como herói, mas como mão de obra barata ou estudante esforçado.

Mudança de endereço

O Brasil virou aquele condomínio caro onde a taxa de manutenção não se traduz em segurança, limpeza ou qualidade de vida. Enquanto o governo insiste que “o país vai dar certo”, quase metade da população já decidiu que prefere apostar em outro endereço. Afinal, se é para pagar caro, que seja em euros ou dólares — pelo menos lá o retorno vem em forma de qualidade de vida.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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