Poubel lança ofensiva contra os leitos fantasmas que assombram UPAs e hospitais na cidade do Rio

Jefferson Lemos
Segundo o vereador, a discrepância entre os relatórios oficiais e o que se vê nas unidades de saúde compromete não só a credibilidade da Prefeitura, mas também o planejamento das políticas públicas (Divulgação/CMRJ)

O vereador Poubel (PL) resolveu jogar luz sobre um dos maiores segredos da saúde pública da cidade do Rio: os leitos que existem no papel, mas evaporam na prática. Depois de fiscalizações que mais pareceram episódios de série policial, ele apresentou um projeto de lei que obriga a Prefeitura a divulgar, em tempo real e com responsabilidade administrativa, a ocupação dos hospitais e UPAs. Nada de números mágicos em plataformas digitais que não batem com a realidade — agora, a promessa é de dados abertos e verificáveis.

A farsa dos corredores

As cenas presenciadas por Poubel durante suas ações de fiscalização são dignas de escândalo internacional: “pacientes largados nos corredores, esperando horas por uma vaga que, oficialmente, já estaria disponível”. Segundo o vereador, a discrepância entre os relatórios oficiais e o que se vê nas unidades de saúde compromete não só a credibilidade da Prefeitura, mas também o planejamento das políticas públicas. E quem paga a conta é o cidadão.

Controle social

Na justificativa, o vereador não economizou nas palavras: transparência em tempo real seria a arma definitiva para o controle social e para decisões baseadas em evidências. Parece óbvio, mas no Rio de Janeiro, exigir que os números reflitam a realidade já soa como revolução. Afinal, quando a saúde pública vira um jogo de esconde-esconde, até a estatística precisa de fiscalização.

Responsabilidade com endereço certo

A proposta não poupa ninguém: diretores e gestores hospitalares responderão administrativamente pelas divergências encontradas. E, se o problema for reincidente ou fruto de omissão, o secretário municipal de Saúde também entra na roda. Em resumo, não haverá mais espaço para o famoso “não sabia de nada”.

O próximo ato

O Projeto de Lei 1537/2025 já está publicado no Diário Oficial e aguarda análise em comissões e plenário a partir de fevereiro. Até lá, a população segue na expectativa de que, desta vez, os números deixem de ser ficção e passem a refletir a dura realidade dos corredores lotados.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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