Praia, acarajé e bala: estrangeiros viram alvos na Bahia, que lidera ranking da violência

Jefferson Lemos
As câmeras de segurança registraram a cena: a vítima saía tranquilamente de uma padaria em sua moto, quando dois homens em outra motocicleta decidiram transformar o passeio em um pesadelo (Reprodução)

Mais um capítulo da novela trágica da segurança pública baiana. Um norte-americano, Abissa Kobenan Nketttia, de 57 anos, foi morto a tiros após reagir a uma tentativa de assalto na noite de terça-feira (20), na Avenida Dom João VI, em Brotas, Salvador. As câmeras de segurança registraram a cena: a vítima saía tranquilamente de uma padaria em sua moto, quando dois homens em outra motocicleta decidiram transformar o passeio em um pesadelo. Após luta corporal, o estrangeiro foi derrubado e baleado. Os criminosos fugiram, claro — e até agora ninguém foi preso.

Estrangeiros na mira da criminalidade

Se fosse um caso isolado, já seria grave. Mas não: no ano passado, um comerciante argentino foi sequestrado e torturado em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. Ele e um amigo baiano foram mantidos reféns por nove homens e obrigados a transferir cerca de R$ 100 mil.

Outro turista, também argentino, foi esfaqueado durante um assalto, na altura do Morro do Cristo, região turística do bairro da Barra, em Salvador.

Bahia no topo da violência

Sob o comando do governador Jerônimo Rodrigues (PT), o estado conseguiu um feito nada invejável: cinco cidades entre as 10 mais violentas do Brasil, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025. São elas: Jequié, Feira de Santana, Juazeiro, Simões Filho e Camaçari. Um verdadeiro “top five” da criminalidade, digno de medalha de ouro na insegurança.

O contraste dos números

O governo insiste em divulgar reduções pontuais nos índices de violência, mas os casos de repercussão internacional — como os ataques a estrangeiros — jogam por terra qualquer narrativa otimista. Para especialistas, a combinação de facções criminosas, falhas na segurança pública e impunidade mantém a Bahia como epicentro da violência nacional.

Enquanto o marketing oficial tenta vender a Bahia como destino turístico, a realidade mostra que o visitante corre o risco de sair direto do aeroporto para as estatísticas policiais.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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