Em Araçoiaba, na Região Metropolitana do Recife, o carnaval de 2026 terá um novo rosto — literalmente. O avanço da violência levou a prefeitura a resgatar uma lei do século passado para reforçar a segurança durante a folia. Trata-se da Lei Municipal nº 33/98, que proíbe o uso de máscaras, capuzes, capacetes e pinturas faciais nos festejos. A medida, longe de gerar polêmica, foi abraçada pela população, que vê nela uma forma de garantir tranquilidade diante do medo crescente na região.
A lei que voltou à cena
Sancionada em 1998, a norma permite máscaras apenas em blocos cadastrados e exige que visitantes se identifiquem com documento oficial. Agora, em meio a relatos de crimes e da atuação de facções na área metropolitana, a prefeitura reforça que a regra é essencial para facilitar a identificação de pessoas e prevenir ilícitos durante desfiles e festas.
Segurança acima da fantasia
De acordo com a gestão municipal, Polícia Militar, Civil e Guarda Municipal poderão abordar foliões com o rosto coberto e solicitar a retirada do acessório. Fantasias continuam liberadas, desde que não dificultem a identificação. A prefeitura afirma que o objetivo é proteger tanto os foliões quanto os profissionais que trabalham no carnaval.
Debate jurídico, apoio popular
Juristas divergem sobre a constitucionalidade da norma, mas, na prática, o que prevalece é o apoio da população. Para muitos moradores, a restrição é vista como resposta concreta ao medo que ronda a cidade. A prefeitura destaca que a aprovação popular foi ampla, com manifestações favoráveis nas redes sociais e nas ruas.
O retrato de um carnaval marcado pelo medo
Araçoiaba, historicamente afetada pela violência, escolheu reforçar a vigilância como forma de preservar a festa. O carnaval, símbolo de liberdade e alegria, agora carrega também o peso da insegurança. A decisão de proibir máscaras mostra como o medo e a criminalidade estão moldando a cultura local, transformando a folia em um evento onde a prioridade é a segurança coletiva.
Em Araçoiaba, o carnaval de 2026 será celebrado de rosto descoberto. A medida, aprovada em massa pela população, reflete uma realidade em que a violência dita regras e o desejo por tranquilidade supera o direito ao anonimato.
