Em meio ao aumento da violência, do terrorismo e de conflitos culturais, o Parlamento Europeu aprovou, nesta semana, um pacote legislativo que altera profundamente a política migratória da União Europeia. A medida, ratificada com 396 votos a favor, 226 contra e 30 abstenções, prevê a deportação de imigrantes e requerentes de asilo para países terceiros considerados “seguros”, mesmo sem qualquer vínculo prévio com o deportado. A aprovação só foi possível graças à união entre partidos da direita com uma parcela de socialistas e centristas, marcando uma nova dinâmica do Legislativo europeu.
Lista de países e acordos já firmados
Entre os destinos possíveis estão Bangladesh, Colômbia, Egito, Índia, Kosovo, Marrocos e Tunísia. A regra elimina a exigência de vínculo entre o solicitante de asilo e o país de destino: basta que um governo europeu tenha assinado um acordo com o país receptor. Na prática, alguns Estados já aplicam o conceito: a Holanda firmou acordo com Uganda, e a Itália com a Albânia.
Contexto de violência e tensões culturais
A decisão ocorre em meio ao aumento de casos de violência, terrorismo e conflitos culturais dentro do bloco. Em 2025, mais de 155 mil pessoas chegaram à Europa em travessias precárias pelo Mediterrâneo, número que reacendeu debates sobre segurança e integração. O endurecimento das regras reflete a crescente preocupação de governos e sociedades europeias com crimes ligados a imigração irregular e choques culturais, fatores que reduziram a sensibilidade da opinião pública diante da tragédia dos refugiados.
Próximos passos e impacto político
O pacote ainda precisa da aprovação formal dos 27 governos nacionais da União Europeia, mas já conta com o aval da Comissão Europeia. A previsão é que as novas regras entrem em vigor em junho de 2026. A votação sinaliza uma guinada política: partidos tradicionalmente moderados se alinharam à direita, consolidando uma nova correlação de forças no Parlamento Europeu e redefinindo o futuro da política migratória do bloco.
