O que era para ser um tributo carnavalesco a Lula na Sapucaí transformou-se em um espetáculo de desgaste político e institucional. A ala da “família tradicional em conserva” não apenas irritou evangélicos — alvo estratégico do Planalto — como também provocou reação da Arquidiocese do Rio, da OAB-RJ e de juristas evangélicos. O samba virou sermão, e o sermão virou repúdio.
Reações em cadeia
– Arquidiocese do Rio: divulgou nota pública criticando o uso de símbolos da fé cristã e da instituição familiar em alegorias, classificando a representação como desrespeitosa .
– OAB-RJ: repudiou o desfile, apontando intolerância religiosa e alertando para o risco de banalização de valores constitucionais ligados à liberdade de crença .
– Juristas evangélicos: engrossaram o coro, acusando a escola de zombar da fé e reforçando a narrativa de que o episódio foi um “desastre total” para a interlocução do governo com comunidades religiosas.
Planalto em modo contenção
Nos bastidores, petistas admitem que o episódio jogou por terra meses de aproximação com lideranças religiosas. Um dirigente resumiu: “Todo o trabalho foi para o lixo.” A estratégia agora é martelar a autonomia artística da escola e negar qualquer interferência do governo. Edinho Silva, presidente do PT, classificou como “ridículo” tentar vincular Lula à polêmica, mas ficou difícil convencer.
Carnaval, fé e política: mistura explosiva
O episódio escancarou a fragilidade da ponte entre o governo e setores religiosos. Em pleno esforço para reduzir resistências, o Planalto viu o samba atravessar o compasso e transformar-se em munição para adversários. A ironia é que, no país do “Carnaval como patrimônio cultural”, bastou uma alegoria mal digerida para que o espetáculo virasse penitência política.
A Acadêmicos de Niterói saiu direto da avenida para o purgatório. E, desta vez, o samba não foi só enredo: foi sermão, foi processo, e foi desastre. E, como se não bastasse… foi rebaixamento.
