‘Desastre total’: Acadêmicos de Niterói joga no lixo tentativa de aproximação do PT com evangélicos

Jefferson Lemos
Nos bastidores, petistas admitem que o episódio jogou por terra meses de aproximação com lideranças religiosas (Divulgação/Riotur)

O que era para ser um tributo carnavalesco a Lula na Sapucaí transformou-se em um espetáculo de desgaste político e institucional. A ala da “família tradicional em conserva” não apenas irritou evangélicos — alvo estratégico do Planalto — como também provocou reação da Arquidiocese do Rio, da OAB-RJ e de juristas evangélicos. O samba virou sermão, e o sermão virou repúdio.

Reações em cadeia

– Arquidiocese do Rio: divulgou nota pública criticando o uso de símbolos da fé cristã e da instituição familiar em alegorias, classificando a representação como desrespeitosa .
– OAB-RJ: repudiou o desfile, apontando intolerância religiosa e alertando para o risco de banalização de valores constitucionais ligados à liberdade de crença .
– Juristas evangélicos: engrossaram o coro, acusando a escola de zombar da fé e reforçando a narrativa de que o episódio foi um “desastre total” para a interlocução do governo com comunidades religiosas.

Planalto em modo contenção

Nos bastidores, petistas admitem que o episódio jogou por terra meses de aproximação com lideranças religiosas. Um dirigente resumiu: “Todo o trabalho foi para o lixo.” A estratégia agora é martelar a autonomia artística da escola e negar qualquer interferência do governo. Edinho Silva, presidente do PT, classificou como “ridículo” tentar vincular Lula à polêmica, mas ficou difícil convencer.

Carnaval, fé e política: mistura explosiva

O episódio escancarou a fragilidade da ponte entre o governo e setores religiosos. Em pleno esforço para reduzir resistências, o Planalto viu o samba atravessar o compasso e transformar-se em munição para adversários. A ironia é que, no país do “Carnaval como patrimônio cultural”, bastou uma alegoria mal digerida para que o espetáculo virasse penitência política.

A Acadêmicos de Niterói saiu direto da avenida para o purgatório. E, desta vez, o samba não foi só enredo: foi sermão, foi processo, e foi desastre. E, como se não bastasse… foi rebaixamento.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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