O PL Antifacção transformou-se em um campo de batalha político dentro da Câmara dos Deputados. Desde esta quinta-feira (19), o projeto tranca a pauta do plenário e precisa ser votado antes de qualquer outra matéria. O impasse expõe duas visões antagônicas: de um lado, o governo, que tenta preservar as alterações feitas pelo Senado e reforçar o protagonismo da Polícia Federal; do outro, a oposição, que endurece o combate ao crime organizado e defende a retomada do parecer do deputado Guilherme Derrite (PP-SP).
O texto original, elaborado pelo Ministério da Justiça na gestão de Ricardo Lewandowski, priorizava ações de inteligência e centralizava recursos na esfera federal. No Senado, o relator Alessandro Vieira (MDB-SE) manteve esse espírito, ampliando instrumentos de arrecadação para forças federais e reforçando a autonomia da PF. O governo aposta nessa versão como mais equilibrada e eficaz.
Já na Câmara, Derrite havia redesenhado o projeto para fortalecer os Estados. Seu parecer endureceu penas contra faccionados, reforçou o combate territorial e determinou que bens apreendidos fossem divididos entre forças estaduais e federais. Para a oposição, essa abordagem é mais incisiva e dá às polícias locais condições reais de enfrentar facções em seus territórios. Governistas, porém, criticam a proposta.
O resultado é um impasse: o governo tenta barrar o avanço da versão mais dura da oposição, enquanto deputados ligados à segurança pública pressionam pela retomada do texto de Derrite. A decisão da Câmara será decisiva para definir se o combate às facções seguirá uma linha mais amena, centralizada e de inteligência federal ou se avançará com maior protagonismo dos Estados e endurecimento das penas.
