Em Rio Bonito, a cena foi digna de roteiro tragicômico: a Polícia Militar estourou nesta quinta (19) um lixão clandestino, pasmem, dentro da própria Secretaria Municipal de Obras. Sim, o órgão responsável por cuidar da cidade resolveu virar depósito de lixo urbano — e não qualquer lixo, mas toneladas acumuladas a poucos metros da UPA e da Clínica da Família. Saúde pública? Só se for no discurso.
A operação aconteceu após denúncias do vereador Caio Cavalinho (PL), que foi procurado pela população indignada. O parlamentar tentou entrar no local, mas foi barrado — mesmo com a presença da polícia. “Se está tudo certo, por que impedir a fiscalização? Secretaria pública pertence ao povo. Quem não deve, não teme”, disparou, em tom de desafio.
Segundo a polícia ambiental, a área degradada chegava a 2 mil metros quadrados, tomada por resíduos domésticos e até animais, que foram apreendidos. Documentação ambiental? Nenhuma. Transparência? Zero. O caso foi encaminhado à 119ª DP para investigação.
O vereador não poupou críticas: “Descarte irregular de lixo urbano é crime ambiental, é atentado contra a saúde pública. O acúmulo de resíduos está próximo da UPA e da clínica de família, locais que deveriam ser exemplo de cuidado. A saúde da população está sendo colocada em segundo plano. E o que mais preocupa é tentarem esconder o problema.”
Em vez de obras, a Secretaria parece ter se especializado em entulho. O espaço público virou lixão oficial, e a população, claro, paga a conta — em impostos e ainda fica exposta a doenças.
Moral da história: em Rio Bonito, o lixo tem endereço fixo: dentro da própria prefeitura.
