Comlurb ignora jovens e deixa 900 vagas de aprendiz ociosas, denuncia juíza na CPI

Jefferson Lemos
Para a magistrada, o descaso envolvendo a Comlurb é apenas um exemplo da omissão das prefeituras (Divulgação/Comlurb)

A juíza Vanessa Cavalieri, titular da Vara da Infância e Juventude da Capital do Rio de Janeiro, fez em seu depoimento na CPI do Crime Organizado uma acusação direta: a Comlurb, empresa pública de coleta de lixo chegou a manter 900 vagas de jovem aprendiz sem preenchimento, mesmo sendo obrigada por lei a cumprir cotas.

Para a magistrada, esse é apenas um exemplo do descaso das prefeituras — inclusive a do Rio — em oferecer alternativas reais para adolescentes em situação de vulnerabilidade que acabam recrutados pelo tráfico de drogas.

“A gente teve há pouco tempo no Rio de Janeiro: a empresa que mais descumpria cotas de jovem aprendiz era a Comlurb, uma empresa pública de recolhimento de lixo. Tinham 900 vagas ociosas de jovem aprendiz. Então, eu não tenho opções para dar para esse menino”, disse a juíza. “Quais outras opções além de trabalhar no tráfico? Trabalhar de jovem aprendiz na Petrobras, no BNDES?”, questionou.

Vanessa Cavalieri relatou ainda que muitos jovens são rejeitados pelas próprias escolas, que só aceitam a matrícula mediante ordem judicial. “Eu não tenho opções para dar a esse menino. Muitas vezes a escola não aceita ele de volta, só com ofício da juíza. Então a gente precisa fortalecer as políticas de prevenção”, afirmou.

O depoimento expôs o gargalo estrutural na prevenção da criminalidade juvenil e a responsabilidade das prefeituras, revelando como a falta de creches, programas socioeducativos e assistência social empurra adolescentes para o tráfico.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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