Economia estagnada, custo de vida em alta e juros recordes levam famílias brasileiras ao maior endividamento da história
Estagnação e pressão financeira – Com a economia brasileira praticamente parada no último trimestre de 2025, crescendo apenas 0,1%, e o custo de vida sufocado por preços elevados, as famílias enfrentam um cenário agravado pela taxa básica de juros Selic em 15%. Como já previam economistas, o resultado é alarmante: 80,2% dos lares brasileiros estão endividados, o maior índice já registrado pela série histórica da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
Quem mais sofre – O peso é maior entre os lares de menor renda:
– 0 a 5 salários mínimos: 82,9% endividados
– 5 a 10 salários mínimos: 78,7%
– Mais de 10 salários mínimos: 69,3%
Alerta da CNC – Para José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac:
“O crédito é essencial para o consumo, mas o custo do dinheiro permanece proibitivo, criando um ciclo perigoso em que o aumento das dívidas é potencializado por juros altos que dificultam a amortização.”
Inadimplência em alta – O recorde de endividamento veio acompanhado de uma piora na inadimplência: 29,6% das famílias já têm parcelas em atraso, maior índice desde novembro. Quase 60% dos lares comprometem entre 11% e 50% da renda com dívidas, enquanto 20% ultrapassam a marca de 50%. Alarmante: 13% das famílias não terão condições de pagar suas dívidas, criando um efeito “bola de neve”.
Cartão de crédito como vilão – O uso intenso do cartão de crédito, aliado ao encarecimento do crédito ao consumidor, aparece como principal motor da dívida. 85% das famílias endividadas apontam essa modalidade como responsável pelo aperto financeiro. Carnês de loja (16%), crédito pessoal (12,3%), financiamento de casa (9,8%) e de carro (8,9%) também pesam no orçamento.
Incertezas – O Banco Central se prepara para decidir sobre a Selic na próxima semana, em meio à expectativa de cortes. Mas o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciado no fim de fevereiro, adiciona incertezas ao cenário global e pode atrasar o alívio esperado.
