Enquanto o governo federal sonha em tabelar o preço das entregas, a população já acordou para a realidade: ninguém quer pagar mais caro pelo hambúrguer que chega em casa. Pesquisa Quaest mostra que 71% dos brasileiros rejeitam a ideia da taxa mínima em pedidos de aplicativos. Traduzindo: sete em cada dez consumidores não estão dispostos a bancar a fatura que Guilherme Boulos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, articula para aprovar no Congresso.
O bolso fala mais alto
Segundo o levantamento, 78% acreditam que a medida vai aumentar o preço das entregas. Apenas 5% vivem no mundo mágico onde a taxa reduziria custos. A maioria também prevê impacto negativo na economia — 74% enxergam retrocesso, enquanto só 26% compraram o discurso otimista.
Regulamentar ou complicar?
A Câmara discute o projeto que fixa uma taxa mínima de R$ 8,50 por entrega, mas o governo quer subir para R$ 10 e ainda acrescentar R$ 2,50 por quilômetro rodado. A promessa é proteger os entregadores, mas o risco é transformar o delivery em artigo de luxo.
Polarização previsível
Entre os apoiadores de Bolsonaro, a rejeição beira unanimidade: 97% contra. Já entre independentes, 83% dizem não. No eleitorado de Lula, a maré muda: 61% apoiam a taxa. Ou seja, até na pizza de sexta-feira a política brasileira consegue dividir o país.
O setor reage
Associações de restaurantes e de mobilidade alertam que a tarifa fixa pode reduzir pedidos e, ironicamente, diminuir a renda dos próprios entregadores. Afinal, menos clientes significa menos corridas. A proposta, dizem, ignora diferenças regionais e ameaça a lógica de funcionamento das plataformas.
Conclusão nada saborosa
O governo fala em “garantias” para os trabalhadores, mas a população enxerga apenas mais uma conta para pagar. Se depender da opinião pública, a taxa mínima do delivery já nasceu com gosto amargo. Afinal, ninguém quer transformar o lanche rápido em luxo de fim de mês.
