O prefeito em cena
Eduardo Paes (PSD) surgiu nesta semana com sua frase de efeito, como se fosse protagonista de um filme de ação: “Aqui vagabundo não tem vez!”. O detalhe é que o mural em homenagem a Pablo Carlos Rodrigues Quintanilha, o PB — filho do traficante Abelha, apontado como chefe do Comando Vermelho — estava lá há pelo menos cinco anos, bem em frente à Escadaria Selarón, cartão-postal da Lapa. Só agora, após operações policiais e manchetes incômodas, a prefeitura decidiu apagar o retrato.
O mural que virou atração indesejada
PB morreu em 2019 em confronto com a polícia, mas sua imagem seguiu viva no muro, redesenhada há cerca de dois anos como se fosse obra digna de restauro. Para turistas, parecia grafite; para moradores e comerciantes, era lembrança constante da presença do tráfico. Investigações apontam que barraqueiros da região sofriam extorsões ligadas ao grupo.
A operação que acelerou a faxina
Um dia antes da decisão, a Operação Colmeia, desencadeada pelo Governo do Estado, prendeu 16 suspeitos ligados ao tráfico na região central. O timing não passou despercebido: só depois da ação conjunta das polícias Civil e Militar é que a prefeitura resolveu agir.
Ironia urbana
O caso expõe uma contradição gritante: o mural resistiu por anos sem incomodar o poder público, até que virou constrangimento. Paes agora tenta se colocar como guardião da segurança, mas a pergunta que ecoa na Lapa é inevitável: se “vagabundo não tem vez”, por que o mural teve vez por tanto tempo?
Resumo da ópera: o mural foi apagado, o prefeito fez discurso de efeito, mas a ironia permanece — demorou meia década para perceber que havia uma homenagem ao tráfico em frente a um dos pontos turísticos mais famosos do Rio. Paes, que agora se apresenta como especialista em segurança pública, parece demonstrar que até ontem não sabia de nada.
